Existe substrato ideal?

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Existe substrato ideal?

Mensagem  Admin em Seg Ago 13, 2012 6:37 pm

Existe uma pergunta recorrente no aquarismo marinho, a respeito de qual tipo de substrato devemos usar, ou ainda, qual a quantidade e a profundidade desse substrato.

Quanto ao tipo de substrato, há muito tempo existe um consenso entre nós, ou seja, cascalho ou areia de aragonita formada por corais e/ou algas coralíneas.

Mas a confusão está feita quando ouvimos respostas sobre a quantidade de cascalho a ser usado e o tamanho do grão desse cascalho ou areia.
A resposta mais simples e imediata é sobre a granulometria, e veremos que se relaciona com o tamanho do aquário e o volume de substrato que será usado.

A primeira regra básica é:

Se nosso aquário é pequeno (volume menor que 150 L), devemos optar pelo uso de areias ou cascalho mais finos; se nosso aquário for maior, devemos então escolher os cascalhos mais grossos.

Por que essa relação? Nós sabemos que o fundo do nosso aquário deve ser um ambiente estável, com pouca movimentação e perturbação, nos aquários menores é mais difícil compor o clima estável que o fundo exige; então, quando optamos por grãos mais finos, aumentamos a compactação do fundo, tornando-o mais estável.

A compactação é uma faca de dois gumes, pois resolve a questão da estabilidade; mas, por impedir maiores trocas com o meio, acumula mais rapidamente matéria orgânica, o que pode ser um fator limitante do tempo de vida do aquário, como veremos adiante.

Vale a pena dizer ainda que, em refúgios, é conveniente usarmos areias finas devido ao pequeno tamanho e ao alto fluxo de água que esses compartimentos têm, levando-se em consideração a proporção do aquário principal.

Tendo um sistema maior, podemos fazer uso de substratos de grãos maiores, mais parecidos com cascalhos, isso facilita a nossa vida, evitando a compactação.

De qualquer maneira, esta primeira regra está relacionada com a segunda regra, que vem a seguir:

Essa segunda regra está cheia de controvérsias e diz respeito à espessura do fundo, ou seja, à quantidade de substrato e se ele será ou não funcional (se terá capacidade de redução, ou seja, de denitrificação).

E é sobre esta questão que escrevo este artigo.

É nesse quesito que as pessoas insistem em afirmar que um modelo é melhor ou mais eficiente do que o outro.

É aí que vale a sensibilidade do aquarista.

Não existe modelo melhor ou mais eficiente que o outro, se eles não forem entendidos e concebidos da maneira correta.

O fato é que os dois modelos são comprovadamente eficientes, mas diferentes; a virtude de um é o defeito do outro e vice-versa.

Daí a grande confusão e discussão entre qual o melhor.

Para analisarmos qual a melhor solução, devemos olhar para o aquário como um todo; pois, quando optarmos por um tipo de fundo e substrato, estaremos, na verdade, optando por uma maneira de construir o nosso sistema que só funcionará bem se for levado em consideração os conceitos básicos de seu projeto e os tipos de equipamentos necessários para sua conclusão.

Analisando o modelo com camada espessa de substrato e/ou com placas de filtro biológico de fundo, imitando um sistema denitrificador (tipo Jaubert), teremos de saída uma vantagem, que é o efeito positivo do consumo do nitrato pelo filtro biológico.

Em contrapartida, um fundo com uma pequena cobertura de cascalho não seria capaz de reduzir os nitratos, ficando esse papel resumido apenas às áreas internas das rochas.

Dependendo da população do aquário, somente as rochas não conseguirão efetuar totalmente o trabalho de denitrificação.

Então, como esse sistema pode ser efetivo?

A resposta está na aplicação de alguns conhecimentos.
Para que não haja acúmulos de nitratos no sistema, deveremos então fazer uso de skimmers de alta capacidade, pois estes, retirando matéria orgânica mais velozmente do meio aquático, evitam que a mesma entre em decomposição dentro do sistema, sendo acumulada na forma de nitratos, fosfatos etc.

Está criada uma relação entre tipos de fundo e concepção do aquário!

Uma forma está relacionada com a pouca capacidade denitrificante e com um uso extremo do skimmer (equipamento potente ou superdimensionado), que cria um ambiente pobre em nutrientes e necessita de complementação química, mas que resulta em uma maior flexibilidade com relação à população do aquário e o tempo de vida do sistema.

A ação rápida do skimmer também ajuda a contornar mais facilmente eventuais problemas de poluição do aquário, a mantermos um nível de oxigênio dissolvido alto e a qualidade da água sempre boa.

A outra forma está relacionada com o denitrificador (fundo espesso), com um uso menor de energia (uso convencional do skimmer) e com um sistema mais estável, mais rico em nutrientes, proporcionando uma diversidade maior da microfauna e flora do seu aquário, por consequencia uma maior competição pelo oxigênio dissolvido no espaço e alimento.

Apesar de esse sistema ser mais rico, por esse mesmo motivo não suporta excesso de população, que a longo prazo pode provocar o colapso do mesmo.

Para não me furtar de uma opinião, devo dizer que prefiro o sistema com denitrificador (fundo espesso de cascalho) e uso de refúgio, pois me parece mais elegante como modelo.

Leva-nos a uma maior compreensão do aquário como um sistema biológico, nos traz uma visão orgânica e nos coloca um pouco mais na posição de admiradores da natureza.

O outro sistema é mais dependente de energia, menos sensível, mas igualmente funcional do ponto de vista do aquarista, e nos proporciona uma melhor visão de princípios, como o da ação e reação.

O que eu quero dizer com isso é que, apesar de os resultados serem ambos satisfatórios, as formas de montar os sistemas devem ser distintas e respeitadas suas características. Qualquer opção será válida, e para o sucesso devemos ter critério.

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